Este sistema foi desenvolvido para avaliar o nível de compatibilidade do casal. Os resultados são irrefutáveis.
Tudo começou em Quelimane. Uma cidade que para muita gente é apenas um ponto no mapa mas para mim, foi o lugar onde o mapa mudou de direção. Porque foi lá que te encontrei.
Eras animada, bonita, confiante e diferente de todas as outras ao mesmo tempo. O tipo de pessoa que entra num sítio e muda a temperatura do ar sem pedir licença. E eu, calmo como sempre, percebi que estava em apuros.
Antes da Kenza. Antes do Ury. Havia eles — a nossa primeira forma de construir algo juntos.
E ainda assim, ofereci-te o Rock um Rottweiler que parecia uma força da natureza e o Pancho, o pastor alemão que chegou cheio de personalidade. Porque quando gosto de alguém, não faço as coisas a meias.
Viemos para Maputo com esperança enorme e bolsos cheios de planos. No início pareceu estável e depois a vida resolveu testar-nos a sério. Os negócios correram mal. As finanças caíram. Houve momentos em que o peso era real e o futuro parecia distante.
Mas nunca nos separámos. Nem nos momentos em que teria sido mais fácil cada um ir para o seu lado. Ficámos. Sempre juntos. Mesmo quando doía.
No meio de tudo isso, vieram eles. A Kenza com os olhos que questionam tudo. O Ury com a energia que não tem explicação. Dois seres que não pediram para nascer em tempo de tempestade e mesmo assim chegaram, e ficaram, e iluminaram tudo.
Agora estamos a reerguermo-nos. Devagar, com cuidado, com intenção. Os negócios estão a voltar. Os sonhos estão a voltar. E nós... nós nunca fomos a lado nenhum.
Hoje fazes 30 anos. Trinta anos de uma mulher que atravessou chuvas ao colo de alguém, que entrou por quintais de noite, que chorou com um cão ao lado, que caiu financeiramente e não deixou que isso a definisse. Que deu à luz duas vezes e ainda assim continuou a sonhar.
Somos tão diferentes, tu e eu. Eu sou uma parede calma. Tu és um furacão com perfume bom. Mas descobri que o furacão e a parede, juntos, constroem a casa mais sólida do mundo.
Não publico. Não exponho. Não faço grandes gestos em público. Mas hoje abri uma excepção porque tu mereces que isto fique escrito algures. Que exista. Que seja real para além da memória.
Feliz aniversário, Madame. De Quelimane a Maputo, da mota do Abdul aos sonhos que ainda estamos a construir — obrigado por teres ficado. Eu fico também.